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Sexta-feira, 06/10/2017, às 13:34, 

por Thais Herédia

O BC de 2018

O ano está acabando e o quadro para inflação e juros está praticamente definido para 2017. Ainda existe a dúvida se o IPCA vai ‘furar’ o piso da meta, que é de 3%, mas isto não é relevante para a estratégia de médio do Banco Central. O evento do descumprimento da meta deve ser analisado não pela fotografia da carta que será escrita ao Ministro da Fazenda para explicar o fato, mas sim pelo o que realmente está acontecendo com processo inflacionário no país.

 

Quanto da queda intensa e veloz do IPCA será mais permanente? Quanto da desinflação ocorrida nestes últimos 12 meses vai distender a rígida indexação da economia brasileira? Quanto tempo vai levar para a recuperação da atividade econômica ameaçar a permanência da inflação próxima a 3%? Estas são perguntas que só poderão ser respondidas ao longo de 2018, a depender de muitos fatores externos e internos.

 

O próximo ano já tem um roteiro mais claro para a economia. E mais positivo também. A atividade deve reagir com maior intensidade, levando o PIB para perto dos 3%, com todos os setores crescendo pelo consumo das famílias. O investimento, que seguiu em queda em 2017, deve ter alguma recuperação no próximo ano, especialmente alimentado pelas concessões e privatizações que devem ser realizadas, mas ainda será uma participação pequena e insuficiente para atender à toda demanda necessária.

 

A economia internacional vai seguir nadando em muito capital impulsionando a retomada do mundo desenvolvido. Este dinheiro todo seguirá à procura de bons rendimentos e o Brasil, mesmo com a taxa de juros menor, vai continuar sendo uma boa opção. O risco é geopolítico e não econômico, com as atenções voltadas para Coreia do Norte e as reações estapafúrdias e inesperadas de Donald Trump. Por enquanto, nenhum preço de ativo financeiro sinaliza guerra, mas tudo pode mudar em segundos.

 

O descolamento entre economia e política não deve mais resistir tanto ao debate sobre as eleições e não há como prever o impacto que isto terá. Não haverá mais tempo nem disposição para reformas e o governo terá que conduzir a política econômica entre orações e muita matemática para fechar as contas públicas. O rombo nos cofres está previsto para R$ 159 bilhões e há risco de ser maior, a depender a força da retomada da atividade e de quanto será possível avançar com as concessões e a entrada de investimento privado no país.

 

O Banco Central vai acompanhar toda esta dinâmica e tem a responsabilidade de fazer a sintonia dos juros com cautela e, ao mesmo tempo, uma dose de ousadia. A cautela com a fragilidade da recuperação do PIB e a ousadia com o momento de atuar e estabelecer novos parâmetros para a taxa de juros, da forma mais permanente possível. A estabilidade da moeda é e será condição essencial para que a retomada crie raízes e aguente melhor os trancos da política.

 

No curtíssimo prazo, é bem possível que a Selic chegue a 6,5%, quiçá 6%. Não é provável que ela permanece neste patamar por muito tempo, especialmente se a política esquentar a ponto de contaminar a economia pelo canal da confiança. A ousadia do BC deve calibrar este tempo de baixa dos juros para que ela permita uma caminhada mais consistente para longe da pior crise que o Brasil atravessou na história. 

Fonte: G1, blog Thaís Herédia.

Fernando Cunha  08/10/2018

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